Em Mundo Novo, interior do Mato Grosso do Sul, Tainá Valadares assumiu a serventia de notas e protesto em outubro de 2024
A tabeliã Tainá Ferreira Valadares é delegatária do Tabelionato de Notas e Protestos de Mundo Novo, município localizado no extremo sul de Mato Grosso do Sul, na tríplice divisa entre o estado, o Paraná e o Paraguai.
O orgulho em estar à frente da serventia é evidente. “Estar aqui, um dia, já foi um sonho”, afirma Tainá ao iniciar o relato de sua trajetória. Natural de Abaeté, interior de Minas Gerais, ela sempre acreditou no aprendizado como ferramenta de transformação. “Desde bem jovem, o estudo teve um papel central na minha vida. Sabia que esse era o caminho para conquistar qualidade de vida, tanto pessoal quanto profissional. E assim fiz”, conta.
A formação acadêmica começou na Universidade Federal de Lavras (UFLA), em Minas Gerais, e foi seguida por uma intensa preparação para concursos públicos. “Foram três anos e meio de muito foco: cronogramas refeitos, rotina intensa, mergulhada em lei, jurisprudência e doutrina. Tudo que pudesse me aproximar do meu sonho”, lembra.
Apesar da dedicação, a jornada também foi marcada pela ansiedade e pelas dúvidas. “Havia dias de muita incerteza. O pensamento que me rondava era: será que não era um sonho grande demais?” relembra. Mas foi a constância, aliada ao apoio da família, que a manteve firme. “Tive a sorte de contar com apoio total para estudar com tranquilidade. A disciplina e a constância foram minhas maiores aliadas”.
A aprovação veio — e com ela, aprovações em concursos por todo o país. Em 2023, aos 26 anos, assumiu seu primeiro cartório. Desde outubro de 2024, é titular em Mundo Novo. “Agora, mais do que nunca, entendo o poder transformador do estudo. Sou grata à Tainá concurseira, que não desistiu. E às pessoas que estiveram ao meu lado. Hoje, vivo o sonho que tanto busquei”, finaliza.
Ainda que o sonho tenha se concretizado, os estudos continuam fazendo parte da rotina da tabeliã, principalmente, para lidar com os atendimentos diários. “Os usuários do serviço chegam até nós visando dar forma jurídica para uma situação determinada. Nós, tabeliães, como agentes imparciais e de confiança, temos a obrigação de orientar qual seria o melhor caminho jurídico para atingir aquele objetivo, menos oneroso e mais eficaz, sempre ouvindo atentamente e preservando o interesse de todos os envolvidos. Por isso, o estudo constante é indispensável”, explica.
Além da qualificação técnica, a notária revela que preza também pela escuta e cuidado em cada atendimento. “Estamos lidando, muitas vezes, com questões sensíveis para o cliente”, justifica. Com uma média diária de 100 atendimentos, a serventia conta com a dedicação de 5 colaboradores.
Um dos desafios é a realidade do dia a dia do Cartório, em que precisam lidar com questões que vão além dos temas jurídicos. “Estudamos leis e jurisprudências, mas é exigido de nós um conhecimento aprofundado em questões como gestão de processos, de pessoas e liderança. Sem dúvida, é um grande desafio essa qualificação com urgência e imprescindível em uma área técnica distinta da que vínhamos estudando até então”, explica.
Segundo Tainá, outro desafio é desmitificar a ideia que a população em geral tem sobre os Cartórios, “como um serviço antiquado e burocrático, além de, muitas vezes, desconhecerem as atividades e questões jurídicas possíveis de serem resolvidas no extrajudicial de modo seguro, prático e rápido”, acrescenta.
Importância do extrajudicial – “Os Cartórios possuem uma relevante função social, reforçando sua importância, especialmente, no interior do estado, por serem grandes representantes do acesso à Justiça. A materialização que as serventias extrajudiciais proporcionam a tal direito é essencial, uma vez que é justamente o acesso à Justiça que possibilita a efetivação da cidadania em sua completude”, destaca a tabeliã.
Para ela, os Cartórios representam a Justiça preventiva, constituindo peça fundamental por garantir a pacificação social e a prevenção de conflitos. “Nós, delegatários das serventias extrajudiciais, atuamos como guardiões da paz social, respeitando a autonomia das partes e conduzindo as demandas com atributos técnicos e jurídicos, bem como com a imparcialidade e eficiência devidas”, prossegue. “Mais do que formalizar atos, nossa missão é ouvir, ter um atendimento empático e humanizado diante de questões sensíveis”, aponta. “A verdade é que a ideia de Cartório antiquado e burocrático não condiz com a era do E-notariado e da Desjudicialização, nem com uma atuação rápida, prática, segura”.
Por fim, a delegatária deixa um recado àqueles que almejam uma aprovação em concursos públicos. “Ainda que pareça difícil, continuem e acreditem no poder da constância, da disciplina e do controle emocional. Vale muito a pena!”, salienta. E à população, para que acessem os serviços extrajudiciais. “Não deixem de procurar um Tabelionato para tentar solucionar uma demanda. Nossa relação é baseada na confiança. Estamos sempre disponíveis para conversar, orientar e, juntos, buscarmos a melhor alternativa jurídica”, aconselha. Para os colegas delegatários e colaboradores das serventias, Tainá declara: “É um prazer compartilhar a atuação de um trabalho tão bonito e essencial. Vamos, juntos, tornar o acesso à justiça cada vez mais palpável a cada cidadão”, finaliza.
Fonte: Assessoria de Comunicação do IEPTB/MS